Colocando o pijama, antes de dormir:
- Aiii [suspiros] que saudades da mãe querida!
- Quem é a mãe querida, Lu?
- É tu mãe, mas agora tu não é mais querida!
Ahm?
Nem preciso dizer que meu mundo caiu mais uma vez naquele dia!
Aquela declaração me fez chorar por dentro e mais tarde, chorar "por fora" também.
Está sendo muito difícil, pessoal! Muito mais do que eu pensava!
A situação é a seguinte: eu tenho um bebê que exige muito mais do meu tempo do que eu imaginava e tenho também um menino lindo e fofo, cheio de energia, de férias, em casa. E mesmo que ele não estivesse de férias e com muito tempo disponível, ele também precisa de atenção!!!
Só que realmente não sobra muito tempo, sabe?
Tenho passado os dias em função do Miguel, que está sofrendo com as terríveis cólicas ou desconfortos estomacais. Seja o que for, ele só quer a mamãe, só quer colinho e peito, peito, peito! Não, não estou reclamando (ok, só um pouquinho), só estou dizendo que meu filhão está sentindo a minha falta! E eu, a falta dele!
Como sinto saudades do meu filho querido também. Lucas se transformou! Está teimoso e mandão, só grita e corre pela casa, nunca obedece a um chamado de imediato, se isola quando está triste, o que acontece frequentemente.
Me dei conta de que, por culpa minha, ele não cresceu "como deveria" nestes 4 anos e agora, de repente, "perdeu" sua mãe querida, que passa às voltas com seu irmãozinho. A mãe querida deu lugar a uma mãe chata, que chama a atenção a toda hora, que põe no castigo, que dá algumas chineladas e exige silêncio! A mãe querida deu lugar a uma mãe ocupada, sem tempo, sem mãos extras, sem disposição, sem paciência!
Outro dia, enquanto estava numa lida para colocá-lo no castigo, ele me diz: "Pára, mãe!!!! Sabia que só os pais brigam e as mães não?! Porque as mães são sensíveis!". Sim, ele disse exatamente isso! E não me interessa se era pura chantagem e se ele tem essa noção e essa capacidade, o que me interessa é que estou sendo menos para o meu filho e ele está precisando de mãe! De todas as mães que eu posso ser, inclusive a querida!
Nos meus momentos de lucidez tenho explicado pra ele que estou muito cansada com essa nova rotina, que um bebê exige muito da mamãe porque ele é muito pequeno, precisa de colinho porque ainda não sabe falar o que está sentindo, precisa do mamá porque não pode comer/beber outras coisas e blábláblá.
Sempre fui muito verdadeira com o Lucas e tenho colhido alguns frutos dessa minha honestidade (muito honesta para uns que acham que eu "explico demais" para uma criança), como ontem, por exemplo: Eu estava um caco em pessoa, quebrada e arrasada, acho que foi o dia mais cansativo até aqui, passei com o Miguel no colo praticamente o tempo inteiro e meus ombros estavam pesando como um elefante! E o Lucas ficou meio por conta.
Aí quando o pai dele chegou e depois tomar o seu delicioso banho, descansar, atender 456789 telefonemas, o Lucas foi até ele e disse: "Pai, fica um pouco com o Miguel porque a minha mãe nem ficou comigo hoje!". Morri. E ressuscitei depois quando o meu lindo chegou pra mim e disse: "Vamos mãe, vamos lá no teu quarto. Eu vou te convidar pra descansar um pouco comigo porque eu 'to' muito "cansativo (=cansado!)".
Veja bem, ele não me convidou para brincar, para desenhar, ler um livro, nada! Ele me convidou para descansar!!!! E depois dizem que não vale a pena conversar com as crianças! Na sua cabecinha, ele deve ter pensado que a única proposta que eu não recusaria naquele momento era essa. Que mãe na minha situação recusaria um convite para descansar ao lado do seu filhão?
E lá fomos nós, deitar na cama e ficar só no chamego, até que eu cochilei... Ai, 'tadinho' do Lucas!
Já cansei de pedir ajuda, implorar para o papai cuidar mais do Miguel para que eu possa dar mais atenção ao Lucas, mas não adiante muito... Quando ele chega em casa, toda a sua ajuda é com os cuidados do Lucas. Ele ajuda um monte, é verdade! Às vezes faz a janta, quase sempre dá o banho, brinca um pouco, arruma pra dormir, faz dormir, mas é aquilo né, o Lucas precisa da mãe também!!! Ele sente falta e eu também! Mas e aí, como fazer? Eu sou só uma!
Antes nós éramos 2/1 - dois para cuidar de um. Agora somos 2/2 e na maior parte do tempo 1/2 (eu, no caso!). Então é claro que alguma coisa fica faltando. Aliás, muuuuita coisa pra quem estava acostumado a ter 100% de atenção!
Ah, meu amor, a mãe também sente falta daquela mãe querida. Ela ainda está aqui, um pouco atarefada e estressada, é verdade, mas ela ainda existe e logo ela vai voltar, pode apostar!